Hoje, 13/03/2013, foi escolhido um novo Papa. Após a renúncia de Bento 16, o Cardeal argentino Jorge Bergoglio foi eleito e se chamará Papa Francisco I.
Quando nós paramos para analisar a atuação da Igreja Católica, desde o início da história da humanidade, passando pela Idade Média, Idade Moderna, até chegarmos à Idade Contemporânea, podemos perceber que a influência e até mesmo a importância da Igreja Católica foram diminuídas e o número de fiéis também vêm diminuindo nos últimos anos.
Atualmente, em um âmbito mundial, outras religiões têm crescido, se destacado e têm conquistado maior influência e força, diante da comunidade internacional, tanto pelo lado bom, quanto pelo lado ruim, como é o caso, por exemplo, do Islã, que ainda sofre um preconceito pelo seu lado terrorista, radicalista, que hoje já não é mais tão generalizado.
Com a saída de Bento 16 e a formação de um novo conclave, tivemos certas candidaturas que mostraram uma maior abertura da Igreja Católica para certas mudanças, levando a uma renovação das ideias, das atitudes e do papel exercido pela religião. Tivemos 5 candidatos brasileiros, dentre os quais Dom Odilo Scherer, que foi colocado como preferência, com alta probabilidade de se tornar Papa, pela própria imprensa italiana.
Mas o que essas possibilidades e a escolha de um Papa argentino significam para o futuro da América do Sul, em termos de Relações Internacionais?
Pode-se tirar, disso tudo, a efetiva atuação do Brasil e dos países sulamericanos diante da comunidade internacional e o papel desta região diante das decisões do mundo. Além de todo um crescimento, de toda essa situação de países emergentes, cada dia crescendo mais, cada dia facilitando mais a vida da população, com mais possibilidades e menos miséria, há o surgimento, efetivo, de novas possibilidades de atuação internacional. Então, além de economicamente, de socialmente emergentes, a região sulamericana atua, nesse caso, em um lado que a Igreja Católica passou a ter, não mais como politicamente decisório, mas o de uma política diplomaticamente e culturalmente consolidada, junto à soberania dos Estados nacionais, dentre os quais muitos vivem o Catolicismo, outros o hinduismo, o Islã, o judaísmo etc. O mundo contemporâneo não vive mais apenas da determinação religiosa. A igreja hoje não mais ataca, não mais decide e não mais determina o comportamento dos governos soberanos, apesar de sua força consolidada.
A possibilidade de termos um brasileiro concorrendo ao cargo máximo da Igreja Católica e a efetiva escolha de um Papa argentino, em uma política religiosa contemporânea, mostra como estamos crescendo também em setores mais genéricos, mais abertos em termos de cultura, religião, em uma política seja conservadora, seja alternativa, em um setor que tem o seu público, sua credibilidade, o reconhecimento das pessoas que acreditam, que mantêm a realidade da Igreja Católica e a força do Vaticano, que tem um significado enorme para a realidade da Itália e da Europa como um todo. Possibilitar uma candidatura brasileira é, de fato, muito importante para a nossa realidade, como país em crescimento constante, se destacando na comunidade internacional e sendo fundamental para as relações entre os Estados. Podemos ver isso cada dia mais, o que leva a uma evolução do Brasil como ator, como ente internacional, que mais do que economicamente ou populacionalmente ativo, é um país que hoje consome moda, cultura, beleza, o acesso às tecnologias, que hoje consome coisas que a Europa sempre consumiu, a América do Norte sempre consumiu. Hoje temos uma participação efetiva, assim como a Índia, a China, a África e a Argentina. E isso é mais uma parte da nossa evolução, também representada pelo Papa argentino.
Não tivemos o representante máximo brasileiro, mas temos um representante sulamericano, atuando em um ramo tão fundamental das sociedades, fundamental para a construção da comunidade internacional. A região sulamericana se mostra em mais um novo patamar de atuação internacional. E após a morte do presidente venezuelano Hugo Chávez e a escolha de um Papa argentino, que venha o futuro da América do Sul.




